23 de mar de 2010

Blogagem coletiva - "Nacionalização dos Hidrocarbonetos na Bolívia"

Em 2006 o governo boliviano tomou a decisão de nacionalizar seus campos de petróleo e gás natural. 
No Brasil, através da campanha "O Petróleo é Nosso" passamos a ter todos os direitos reservados pela nacionalização do petróleo.
A blogagem coletiva que estamos propondo tem origem no livro "BOLÍVIA - Passos das Revoluções" e  deseja abordar a questão da nacionalização dos hidrocarbonetos com relação ao futuro do povo boliviano, considerado o mais pobre da América do Sul, apesar de suas ricas reservas naturais. 
A pergunta do blogue: 
Como você analisa essa questão para o futuro da América do Sul?
Abaixo seguem as regras para você participar da blogagem coletiva:
1- A blogagem coletiva compreenderá o período do dia 24 de março de 2010 até o dia 07 de abril de 2010. 
2- Para você participar da blogagem da coletiva é necessário que você seja um dos seguidores deste blog.
3 - Todos os interessados devem informar nesta postagem a sua participação.
4. Serão destinados 2 livros de cortesia para os participantes: 
a) a editora vai escolher um blogue - entre os que divulgarem essa blogagem coletiva - para oferecer um exemplar do livro autografado.
b) os autores vão escolher a melhor - dentre todas as postagens avaliadas  - para oferecer um exemplar do livro autografado.
 
Saiba mais do livro " Bolívia - Passos das Revoluções"  na entrevista dos autores: 

Como e porque aconteceu a intenção de vocês reunirem seus trabalhos em um livro?   
Rafael Araujo: A Bolívia entrou numa fase revolucionária a partir de 2001. Compreender este processo desencadeado por indígenas e camponeses era fundamental, até por conta das relações Brasil e Bolívia. Somos um dos maiores compradores do gás boliviano e o despertar de uma revolução chamou a atenção de nossa imprensa, que infelizmente, muitas vezes se prendeu a generalizações e caracterizações indevidas. Por isso, buscamos reunir nossos trabalhos individuais no livro para que o meio acadêmico e a sociedade como um todo tenham a oportunidade de conhecer o que se passa no país andino-amazônico.
Daniel Chaves: Bem, inicialmente, surgiu a idéia de uma convergência muito simples de pesquisadores, cuja força do debate se apoiou no trabalho de todos (ligados à Bolívia) e ao próprio momento, propício para tal debate. Foi um processo muito simples, mas não simplório; todos nós pudemos nos organizar e pensar coletivamente com muita tranquilidade, já que somos todos formados pela mesma casa (o Laboratório de Estudos do Tempo Presente / UFRJ, http://www.tempopresente.org), e isso confere uma linha de debate muito propícia e estreita. 

Considerando a "Guerra da Água"  um movimento político importante para a recente História da Bolívia  podemos atribuir que foi uma era de abertura para futuras decisões políticas? 
Rafael Araujo: A Guerra da Água pode ser considerado o momento fundacional do processo de transformação da Bolívia. Lá a questão da nacionalização dos recursos naturais foi colocada pela primeira vez na boca do mais humilde cidadão, e a partir daqui, esta questão, junto com reforma agrária, reconhecimento dos direitos indígenas, entre outros, foi crescendo e impulsionando Evo Morales e o seu partido o MAS (Movimento Al Socialismo) como os líderes do processo de transformação da Bolívia. 

Sem os votos da comunidade indígena, ainda que muitos eleitores de Evo Morales não sejam índios, ele seria hoje o Presidente da Bolívia? 
Rafael Araujo: Não. O movimento indígena foi fundamental para que Evo Morales se tornasse o presidente boliviano. Na verdade, Evo é fruto das lutas dos indígenas por reconhecimento e por transformações sócio-econômicas que os tirassem da pobreza e miséria.  
Acreditando que não houve ilegitimidade na nacionalização dos hidrocarbonetos pelos bolivianos, que levou ao congelamento das relações bilaterais Bolívia-Brasil, qual poderá ser o desdobramento desse assunto para o futuro, em relação a Petrobrás? 
Rafael Araujo: A nacionalização dos hidrocarbonetos foi um constructo histórico do movimento social boliviano. Se Morales, tal como ex-presidente Carlos Mesa, não tivesse adotado a postura de nacionalizá-lo talvez ele possivelmente seria retirado da presidência. Não interesse para o Brasil e o seu projeto de integração sul-americana a pobreza na Bolívia. Assim, temos que compreender que os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade boliviana, algo fundamental para integração regional. O Brasil como maior país da região tem que ter a sensibilidade de compreender este fenômeno.

Em resposta ao relatório dos EUA sobre a América Latina, recentemente, o Presidente Evo Morales declarou: 'imperialismo americano tem medo' de seu governo. Até que ponto essa declaração interfere na política da União de Nações Sul-Americanas - UNASUL? 
Rafael Araujo: A UNASUL é autônoma em relação aos EUA. Isso por si só já é um fato histórico. Não creio que o discurso anti-imperialista de Morales interfira no desenvolvimento da UNASUL. 
Daniel Chaves: a UNASUL é um projeto muito mais amplo que questões políticas, que sem dúvida estão relacionadas - afinal, tratam-se de instituições políticas, os governos. Mas, acima de qualquer disputa ideológica, é preciso estar atento ao que pensam os vizinhos geográficos incontornáveis. E esse, inclusive, é um objetivo do livro: uma visão menos ideológica, mais analítica e acima de questões que estão sendo colocadas na ordem do dia.


BOLÍVIA - Passos das Revoluções
Formato : 16 x 23 cm
176 páginas
ISBN : 978-85-7543-096-5

Preço de capa : R$25,00 + frete postal
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