2 de abr de 2015

Vitor da Fonseca e as associações no Rio antigo - Prosa & Verso: O Globo


(...) Vitor Manoel da Fonseca fala sobre o recém-lançado "No gozo dos direitos civis: associativismo no Rio de Janeiro, 1903-1916" (Arquivo Nacional e Muiraquitã). Resultado da sua tese de doutorado, o livro mostra como imigrantes e brasileiros se reuniam em grupos e associações no Rio de princípios do século passado, revelando formas de recreação e solidariedade que marcaram a República Velha.


O que sua entrevista revela de novo sobre o Rio de Janeiro e o Brasil do período pesquisado?
 
No início do séc. XX, dominava, entre a intelectualidade, um discurso segundo o qual o brasileiro era insolidário e isto seria uma das razões para o “nosso atraso” – essa afirmação é, ainda, comum até hoje. O maior expoente dessa visão foi, sem dúvida, Oliveira Viana, havendo outros, como Sérgio Buarque de Holanda e Alberto Torres.

 
O que a pesquisa comprovou é que havia no Rio de Janeiro, desde o século XIX, uma intensa vida associativa. Sociedades culturais, recreativas, religiosas, políticas, sindicais e de auxílio mútuo, com ou sem personalidade jurídica, reuniam um grande número de pessoas, desde cariocas, até brasileiros de outras partes do país e de estrangeiros que migraram para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades de vida e que aqui, para assegurarem ou ampliarem seus direitos, se organizaram por meio dessas entidades.


No século XIX, o Almanak Laemmert, uma espécie de páginas amarelas com mais informação,
listou, entre 1844 e 1889, 640 sociedades. Entre 1903 e 1916, registraram-se no 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, para obtenção de personalidade civil, ou seja, para poderem ter e dispor de bens e poderem agir como pessoas jurídicas, 682 associações. Numa amostragem de alguns anos desse mesmo período, na documentação da Secretaria de Polícia do Distrito Federal, foram levantadas 953 novas entidades, estas normalmente com menos recursos, sem necessidade de personalidade jurídica, em sua maioria clubes desportivos, sociedades dançantes, grupos carnavalescos e pastoris que, por promoverem festas ou pretenderem realizar “passeatas” (saídas à rua), precisavam de autorização policial.



Quais foram as associações mais surpreendentes e inusitadas que você descobriu. Poderia falar um pouco sobre elas?
Há várias associações interessantíssimas, e muitas já pelo seu próprio nome, como a Sociedade União Beneficente das Famílias Honestas, a União Natalícia – Sociedade Beneficente de Dotes por Aniversário Natalícia e Conjugal, o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento Iód-Hé-Vau-Hé, a Obra Católica Social de Proteção das Moças Solteiras e o Culto Africano.

Vitor da Fonseca e as associações no Rio antigo - Prosa & Verso: O Globo
A entrevista completa, incluindo as fotos, veja no link acima,