14 de mar de 2011

Homenagem ao Dia da Poesia -

O Relógio Lá de Casa *
Dês que acordamos neste mundo perdido,
conta as horas de nossa vida
(as boas e as amargas também)
o velho relógio lá de casa.
Escravo sem esperança de libertação,
a familiaridade suprimiu-lhe a presença.
A presença e os inestimáveis serviços.
Labora em silêncio.
Silencia mesmo as incômodas badaladas,
ao contrário dos relógios vulgares.
Deslembrado?  Relegado?
A culpa é dele.
Se não brada, não clama, não reclama.
Só lhe sentiremos a falta quando parar, exausto,
definitivamente.
E que falta.
Assim o relógio lá de casa.
Assim os indivíduos que vivem para os outros.
Esquecidos de si mesmos.


Brevemente nas livrarias: "Girassol"
*Ruben de Almeida Baptista Pereira,
o Autor, nasceu em 29 de maio de 1901,
na cidade de Niterói, e nos deixou aos 83 anos, na mesma cidade.